EDUCAÇÃO NAS ÁGUAS DO LAGO PARANOÁ

 

Segurança e conforto para os passageiros aproveitarem ao máximo o passeio

Brasília ganha serviço inédito. Alunos das redes pública e particular tem aulas de conscientização ambiental a bordo de um barco para 79 passageiros

Os olhos atentos denunciam a vontade de aprender. As expressões faciais mostram o espanto diante de um cenário novo e desconhecido. A voz firme no juramento é a garantia do compromisso com a preservação ambiental do maior lago tropical despoluído em área urbana do mundo.

O Lago Paranoá ganha um importante exército na luta pela preservação e pelo uso responsável. São os Defensores do Lago Paranoá. Alunos beneficiados pelo projeto de educação ambiental da Mar de Brasília. São crianças que, moram a poucos quilômetros do coração de Brasília, mas nunca tiveram a oportunidade de conhecer o lago.

A aventura começa na Ermida Dom Bosco, local do embarque. Abordo do catamarã, com coletes salva-vidas, elas tem uma aula de educação ambiental. Pelo sistema de som o guia transmite informações sobre a criação do lago no final da década de 1950, a importância dele para umidificar o ar, gerar energia e servir de área de lazer. O programa também inclui informações sobre a fauna e a flora do local.

No trajeto em direção a Ponte JK, os participantes tem a oportunidade de ver o Palácio da Alvorada por um ângulo novo. Ao passar pelo monumento aprendem sobre a história de Brasília, as primeiras construções e a arquitetura da cidade. Como criança de barriga vazia não presta atenção, todos os participantes recebem um lanche.

Despoluição
O barco passa embaixo da Ponte JK e faz uma pequena parada. O guia repassa informações sobre o monumento, data da construção, prêmio de ponte mais bonita do mundo, valor do investimento e, em seguida, volta a atenção dos alunos para o próprio lago. Ele fala do processo de assoreamento, explica que a balneabilidade do espelho d’água é de 95% e pede o engajamento da criançada na preservação do meio ambiente. “Não podemos deixar ninguém jogar lixo na rua, porque a sujeira pode terminar despejada na água”, ensina. Só em 2009, foram retiradas 55 toneladas de lixo do lago, o equivalente a 4 milhões de latinhas vazias de refrigerante. Se todas essas latinhas fossem empilhadas uma em cima da outra, formariam uma torre de 600 mil metros, uma montanha do tamanho de 2,6 mil torres de TV uma em cima da outra. Em 2008, a quantidade de lixo retirada do lago chegou a 62 toneladas. Um quadro ilustrativo com o tempo de decomposição dos materiais na natureza enfeita o barco.

Além do conteúdo ecológico, os participantes são estimulados a fazer uso responsável dos recursos hídricos. Aprendem que 29 pessoas morreram no Lago Paranoá só em 2009. A maioria delas tinha ingerido bebidas alcoólicas. O guia reforça a importância do uso de equipamentos de segurança, como coletes salva-vidas. No retorno da Ponte JK, já nas proximidades da Ermida Dom Bosco, os alunos aprendem que Brasília surgiu de um sonho do padre italiano João Belchior Bosco. Em 30 de agosto de 1883, enquanto dormia, ele teve uma profecia: entre os paralelos 15º e 20°, num país de selva amazônica, existia uma magnífica terra em que leite e mel corriam em grande abundância. Brasília surgiu desse sonho, dentro da latitude imaginada pelo religioso.

Os mais atentos são recompensados num jogo de perguntas e respostas sobre o conteúdo repassado durante o passeio. Aqueles que mais acertam recebem brindes. As crianças descem do barco e prometem proteger a natureza. “Não vou permitir que ninguém jogue lixo na rua, porque sei que esse material pode sujar o lago. Vou me empenhar ao máximo para manter o espelho d’água preservado para os meus filhos e netos”, garatem.

Após o juramento eles recebem uma carteirinha de Defensor do Lago Paranoá com uma foto 3X4. Junto com o documento a responsabilidade. O guia explica que eles tem a missão de proteger a meio ambiente mesmo que isso implique em dar puxões de orelha nos pais, irmãos e amigos. Os passeios educacionais para os alunos de escola pública são custeados pelos patrocinadores.

Ideia
A ideia de desenvolver o projeto de educação ambiental no Lago Paranoá surgiu da necessidade de preservar o espelho d’água. “Percebemos que existiam poucas ações efetivas para manter o lago vivo. Ele sofre constantemente com a ação do homem. Dia a dia perde área alagada com o processo de assoreamento e nada é feito”, explica Darse Júnior, coordenador do projeto.

Um levantamento promovido pelo governo local com apoio de especialistas ambientais em 2001 demonstrou que o Lago Paranoá perdeu 213 hectares devido ao processo de assoreamento. A área perdida devido, principalmente à ocupação irregular de terras e despejo de lixo em locais inadequados, equivale a 213 campos de futebol.

Além de desenvolver a educação ambiental nos alunos das escolas públicas, o projeto da Mar de Brasília prevê o fortalecimento do turismo na capital. “A construção de Brasília em mil dias e a transferência da capital para o Planalto Central marcou a história do Brasil. O apelo turístico da cidade é inegável. A criação de um lago artificial com 31 mil metros quadrados e 91. mil metros lineares de orla, é capítulo importante da capital”, comenta Darse Jr.

Os principais centros turísticos do mundo com canais aquáticos, lagos ou rios disponibilizam diversas opções de passeios náuticos. Serve de exemplo Paris, no Rio Sena, com os famosos Bateaux Mouches. O programa turístico da Mar de Brasília segue o mesmo modelo europeu. Com passeios de uma hora a preços acessíveis. A ideia é resgatar e preservar a memória da cidade por meio da história do Lago Paranoá.

Aos sábados, domingos e feriados o contato com a empresa pode ser feito pelo 98454-9991 (Marcos Vinicius).